21/07/2026 | Venus comex orbit
Se sua empresa importa, anote duas datas: 22 de abril de 2026 e dezembro de 2026.
A primeira já passou. A segunda está chegando.
Em 22 de abril, a Receita Federal desligou a Declaração de Importação (DI) para operações sem controle administrativo no modal marítimo. Cinco dias depois, em 27 de abril, o desligamento alcançou o modal aéreo e as operações com controle da Anvisa, MAPA, Inmetro, ANP e CNEN em todos os modais já migrados. Em dezembro, a vez é do modal terrestre/rodoviário.
A partir dessas datas, as operações alcançadas só podem ser registradas via DUIMP no Portal Único de Comércio Exterior. Quem ainda dependia da DI e não migrou, simplesmente não importa mais, fica com carga retida no porto, gerando custos de armazenagem e prejuízo operacional.
Este guia foi escrito para PMEs que precisam entender, com clareza, três coisas:
- O que é a DUIMP e por que ela existe.
- O que muda na prática para quem importa.
- O que sua empresa precisa fazer agora para não parar.
Vamos por partes.
O que é DUIMP
DUIMP é a sigla de Declaração Única de Importação. É um documento digital que reúne, em um só lugar, todas as informações de uma operação de importação:
- Aduaneiras
- Administrativas
- Comerciais
- Financeiras
- Tributárias
- Fiscais
Antes da DUIMP, essas informações eram declaradas em múltiplos documentos: a DI (Declaração de Importação), a LI (Licença de Importação), a DSI (Declaração Simplificada de Importação) e outros. Cada um vivia num sistema diferente, exigia retrabalho, e gerava brechas onde erros podiam se esconder.
A DUIMP unifica tudo isso no Portal Único Siscomex, uma plataforma única, integrada por API, que conversa com todos os órgãos anuentes (Anvisa, Inmetro, MAPA, ANP, CNEN etc.) em um só fluxo.
O objetivo declarado pelo governo é reduzir prazo, retrabalho e burocracia. O objetivo prático para o importador é outro: adaptar-se a esse novo fluxo antes do prazo, sem parar a operação.
Por que isso está acontecendo agora
A DUIMP não é uma surpresa de 2026. Ela faz parte do Novo Processo de Importação (NPI), um projeto do governo federal que existe desde 2014, uma década atrás. O cronograma de implementação ganhou velocidade depois de 2022, e em 2024 começou a ser obrigatória para algumas operações no modal marítimo.
O que está acontecendo em 2026 é o desligamento progressivo da DI. Não é "DUIMP virou opção". É "DUIMP virou única opção" — em fases.
O cronograma público, de acordo com a Portaria Coana nº 165/2024 e atualizações subsequentes:
|
Fase |
Data |
Alcance |
|---|---|---|
|
Marítimo sem anuentes |
22/abr/2026 |
Concluído |
|
Aéreo + anuentes (Anvisa/MAPA/Inmetro/ANP/CNEN) |
27/abr/2026 |
Concluído |
|
Modal terrestre / rodoviário |
Dezembro/2026 |
Em curso |
Para verificar se uma operação específica da sua empresa já foi migrada, o MDIC disponibiliza um simulador online no Portal Único Siscomex.
DUIMP vs DI: o que muda na prática
|
Aspecto |
DI (antiga) |
DUIMP (atual) |
|---|---|---|
|
Documento |
Múltiplos (DI, LI, DSI) |
Único |
|
Sistema |
Siscomex LI/DI |
Portal Único Siscomex |
|
Cadastro de produto |
Por operação |
Catálogo de Produtos (cadastro prévio) |
|
Integração com órgãos anuentes |
Fragmentada |
LPCO (Licenças, Permissões, Certificados e Outros Documentos) — unificada |
|
Atualização |
Manual em vários sistemas |
Centralizada |
|
Integração com ERP |
Limitada |
Via API |
A mudança mais sensível para PMEs não é a DUIMP em si, é o Catálogo de Produtos.
O Catálogo de Produtos: onde mora o trabalho
O Catálogo de Produtos é um módulo do Portal Único Siscomex onde o importador precisa cadastrar previamente cada item que pretende importar.
Sem produto cadastrado, não é possível registrar uma DUIMP. E sem DUIMP, não há importação.
Para cada produto, o cadastro exige:
- NCM (Nomenclatura Comum do Mercosul) — 8 dígitos que classificam o produto
- Descrição técnica padronizada — não vale "camiseta"; tem que ser "camiseta de algodão 180g, manga curta, gola redonda, tamanhos P/M/G/GG"
- Identificação do fabricante — nome, endereço, CNPJ equivalente ou registro local
- Atributos regulatórios específicos — dependendo da NCM, exige dados extras (composição química, tensão elétrica, validade, etc.)
Para uma PME que importa 200 SKUs, isso significa 200 cadastros, cada um com a chance de erro. Erro de NCM gera multa. Erro de descrição trava a DUIMP. Erro de atributo regulatório retém a carga.
É aqui que a migração trava e é aqui que assessoria especializada faz a diferença mais clara.
Os riscos concretos de não migrar a tempo
Se sua empresa importa pelos modais já desligados (marítimo, aéreo, ou em operações com anuentes) e ainda não migrou para DUIMP, os efeitos práticos são:
- Carga retida no porto/aeroporto. Sem DUIMP registrada, não há desembaraço.
- Custo de armazenagem correndo. Cada dia parado é dinheiro saindo. Em portos como Santos, valores de armazenagem por container excedem facilmente os R$ 200 a R$ 500/dia, em média.
- Risco de contrato com cliente final. Se você importa para revender, atraso na chegada compromete prazo de venda.
- Exposição regulatória. Operações declaradas fora do modelo correto podem ser canceladas pela fiscalização.
Para o modal terrestre/rodoviário, a janela está aberta até dezembro. É bastante tempo para empresas que começam agora. Não é tempo nenhum para quem deixar para novembro.
Como sua PME deve se preparar — em 7 passos
1. Confirme se sua empresa está habilitada no Portal Único
Acesse portalunico.siscomex.gov.br e verifique se sua empresa tem acesso ativo. Habilitação é diferente de RADAR; é um cadastro adicional para o Portal.
2. Mapeie todos os seus SKUs de importação
Liste cada produto que sua empresa importa ou pretende importar. Para cada um, identifique:
- A NCM correta (cuidado: classificação errada gera multa e atraso)
- Descrição técnica detalhada
- Fabricante atual
- Se há algum regime tributário especial aplicável
Esse mapeamento é base para todo o resto. Sem ele, você não cadastra o Catálogo direito.
3. Cadastre os produtos no Catálogo
Para cada SKU, faça o cadastro no Catálogo de Produtos do Portal Único. Comece pelos itens de maior giro, é onde o impacto de "não migrar" será sentido primeiro.
4. Integre seu ERP via API
Se sua empresa usa um ERP (Bling, Senior, TOTVS, SAP, ou outro), verifique a disponibilidade de integração com o Portal Único via API. Empresas que ainda lançam operação em planilha vão sofrer com volume, vale considerar atualização.
5. Treine o time aduaneiro
Despachante experiente em DI não é despachante pronto para DUIMP. Garanta que quem opera no dia a dia tenha sido treinado no novo fluxo, conheça LPCO, e saiba interpretar erros do Portal Único.
6. Faça uma simulação antes da próxima operação
Idealmente, faça uma DUIMP "de teste" antes da próxima importação real. O Portal permite simulação. Erro em ambiente de teste é aprendizado; erro em operação real é multa.
7. Tenha um plano de contingência
Se algo falhar, qual é o plano? Quem é o responsável por destravar? Qual é o prazo aceitável? Essas perguntas precisam ter resposta antes da primeira operação migrada, não depois.
Onde uma consultoria faz diferença
Tudo o que está acima pode ser feito internamente. Empresas grandes, com área de comércio exterior dedicada e ERP robusto, costumam migrar com a equipe de casa.
Para PMEs, o cenário é diferente. Times enxutos, ERP médio, e múltiplas prioridades concorrentes tornam a migração um projeto que rouba foco da operação principal. É aí que uma consultoria de comércio exterior — como a Venus Lane — entra:
- Conduz o diagnóstico inicial: o que migrar, em que ordem, com que prioridade.
- Realiza o cadastro do Catálogo de Produtos com revisão técnica de NCM.
- Coordena com o despachante e o time aduaneiro.
- Acompanha a primeira DUIMP do cliente, garantindo que erros sejam pegos no ambiente de teste, não na operação real.
- Mantém o cliente operando durante a transição. Sem parada.
Não é mágica nem promessa exagerada. É processo bem feito.
Conclusão: o que fazer hoje
A DUIMP não é mais um tema "a discutir". É uma realidade operacional em curso. Para PMEs que importam:
- Se você opera no modal marítimo ou aéreo e ainda não migrou: isso é urgência.
- Se você opera no modal terrestre: a janela está aberta, mas começa a fechar.
- Se você ainda não importa, mas planeja começar: já estruture sua operação no modelo DUIMP desde o primeiro dia.
A diferença entre quem opera bem em 2026 e quem fica paralisado não é tecnologia, é planejamento.
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Ou, se prefere uma conversa direta sobre o caso específico da sua empresa: [Falar com o time Venus Lane →]